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artigos : economia e política  
a atualização do cálculo do pib (produto interno bruto) trouxe boas e más notícias para quem, como a construção civil, torce pelo crescimento sustentado do país.
A atualização do cálculo do PIB (Produto Interno Bruto) trouxe boas e más notícias para quem, como a construção civil, torce pelo crescimento sustentado do país.A primeira boa notícia é o PIB ter atingido R$ 2,322 trilhões em 2006 –crescimento de 3,7% e não de 2,9% como se estimava anteriormente.

Também foi alentador saber que, já em 2005, a relação entre a dívida pública e o PIB diminuiu. Era de de 51,5% e ficou em 46,5%. Este dado é relevante para melhorar a expectativa com relação ao desempenho dos fundamentos da economia nacional, reduzir sua vulnerabilidade e manter a trajetória declinante dos juros.

Infelizmente, há más notícias e elas exigem um esforço redobrado para saná-las sem prejudicar o alcance das metas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).Estimava-se que em 2005 o país teria aplicado 4,3% em educação. Pela nova metodologia, foram 3,8%. O irrisório imaginado revelou-se ainda menor. Sem educação, não há desenvolvimento.

Julgava-se que o superávit primário naquele ano havia sido de 4,83%. Ficou em 4,35%, não atingindo a meta de 4,5%. Este dado pode se transformar em uma oportunidade, se o governo, em vez de cortar investimentos, fizer mais economia nas suas despesas. A taxa de investimento, que se supunha ser de 19,9% do PIB em 2005, ficou em 16,3%. Mesmo com o aumento para 16,8% em 2006, é preocupante, uma vez que, para termos crescimento sustentado, os investimentos em construção e máquinas deveriam representar, no mínimo, 25% do PIB. A economia acabou crescendo pelo aumento do consumo.

Não está mal, mas falta sustentabilidade.A carga tributária recalculada, de 34,12% em 2005, subiu para 35,12% em 2006, o que em nada alivia o fardo carregado pelo setor formal da economia que paga os impostos.Já a participação da construção no PIB, estimada em 6,5%, revelou ter sido de 4,4% em 2005 e 4,7% em 2006. Este setor responsável pela expansão da infra-estrutura e da habitação, por sua importância estratégica para o desenvolvimento, já chegou a representar 9,6% em 1989.De outro lado, o novo cálculo confirmou as estimativas que o setor fazia sobre o número de pessoas ocupadas na construção: 5,6 milhões em 2004. Aí está incluído o vasto contingente de mão-de-obra informal, com mais de 4 milhões de trabalhadores sem carteira assinada.Outro dado relevante: a variação do produto da construção não será mais medida apenas pelo comportamento da atividade dos insumos do setor.

Agora, também passará a registrar o desempenho dos serviços. Isto tornará o retrato mais completo.Neste quadro, espera-se que os governos estaduais e municipais se juntem ao esforço que vem sendo empreendido pelo governo federal. Além de elevar os investimentos em educação, os esforços conjuntos dos três níveis de governo para incrementar a oferta de moradia e expandir a infra-estrutura são agora mais do que necessários.Mesmo que, com os novos cálculos, o Brasil tenha voltado a figurar entre as dez maiores economias mundiais, a taxa de expansão do PIB em 2005 só superava, na América Latina, a do Haiti (0,4%) e a de El Salvador (2,8%), e praticamente empatava com a do Paraguai. Não há dúvida de que, com o esforço de todos, podemos crescer mais.

Autor: opinião do sinduscon-sp
Fonte: folha de s. paulo

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